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D. Olga Belini: emoções e sentimentos
nas linhas do tempo

     De certa forma, tudo passava por ela, a telefonista.
     Assim d. Olga Belini Soares definiu a profissão que exerceu durante 28 anos. Sonhos, esperanças, alegrias e tristezas, em cada tom de voz, em cada chamado que ouvia, do outro lado da linha.
     Ela – a telefonista – captava as emoções e os sentimentos da cidade-presépio.
     Num tempo em que havia poucos telefones em Machado, a telefonista era mesmo uma pessoa tão querida e solicitada, a ponto de conquistar regalias.
    “Ganhávamos muitos presentes; íamos ao médico, ele não cobrava. Éramos bem tratadas! – conta d. Olga.
     E cita com saudade algumas de suas queridas companheiras de profissão: Nicioneli Oliveira, Elza Maria Macedo, Meire Amaral e Francisca Cristina Dias, entre outras.
     Mas d. Olga foi a que ficou mais tempo na gloriosa “Empresa Telefônica Machadense Ltda”, de 1951 a 1976: “Fiquei até acabar, quando o telefone passou para o DDD. Amava a minha profissão”.
     Filha de Artur Belini e Cuinta Belini Signoretti, d. Olga nasceu em 15 de outubro de 1925. “Tive uma infância difícil, sem conforto; começávamos a trabalhar cedo”, diz.
     E, por volta de 1943, já trabalhava no famoso telefone de manivela. Segundo ela, o primeiro telefone de Machado.
    Depois, na Empresa Telefônica Machadense, ela se destacou como telefonista, de modo que, nos seus 25 anos de serviço, foi homenageada com uma missa celebrada pelo cônego Walter, na Igrejinha do Menino Jesus de Praga: “Houve em seguida um coquetel no Centro Machadense, com presença da sociedade local, a que compareceram, entre outros, Rubens Garcia e João Nannetti”, recorda. E acrescenta: “A Telefônica Machadense teve como presidentes, respectivamente, dr. Wolney Araújo Dias, Demerval Costa, dr. Maurício Dias Vieira e dr. Feliciano Dias Vieira, o Vieirinha.
Ela se lembra também de Dalmo Andrade: “Ele trabalhou como contador na Telefônica. E o técnico de telefone era o José Scalco”.
     Entre as lembranças amáveis de d. Olga, há também um fato interessante: “Houve um tempo em que, quando havia linha cruzada no telefone, era preciso usar um bambu para desenrolar”.
E outros que revelam bem a alma de um tempo simples, em que as pessoas ainda se expressavam com pureza, humor e poesia.
     Como faz d. Olga ao fechar esta página que a ela é dedicada: “Às vezes, alguém chamava a telefonista e dizia que queria falar com uma Senhora gorda, que morava numa casa rosa, na rua tal, ou falar na residência da Maria Miau (no caso, era a dona Maria Gata, aqui da cidade), ou no “par de meia” (casa 66 do Erasto Pereira).” Ó tempos de simplicidade e romantismo!
     D. Olga Belini Soares era casada com Jairo Rezende Soares, de quem ficou viúva aos 27 anos de idade e tem 4 filhos: Marilene Brancher, Meirelúcia Rezende Paviani, Olga Belini Rezende Silva e Jairo Belini Rezende (falecido em 1990).


Dona Olga Belini

Dona Olga, nos tempos de telefonista

 

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