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O mestre da sanfona

“La musique avant toute chose”.
A música, sobretudo. A frase é do poeta francês Paul Verlaine, mas bem podia ser o lema de Luís Milani, mais conhecido por Fontoura.
“Aos cinco anos de idade, comecei a tocar viola e sanfona”, conta ele. E acrescenta: “Aprendi sozinho; nunca tive aulas de música”.
E assim, juntamente com sua família italiana, seus primos, irmãos e irmãs, ele passou a se apresentar em quermesses. Formou depois a primeira dupla: Fontoura e Joaninha, irmã dele.
Mas o maior sucesso musical viria com outra dupla: Fontoura e Melhoral.
“Recebemos esse nome por causa da propaganda do biotônico Fontoura e do Melhoral, da Bayern – produtos famosos na época. Isso lá por volta de 1963 –64. Foi o “Circo do Pelado” que teve a idéia de nos dar esse nome”.
Essa dupla durou quase 40 anos. Melhoral era seu primo, Hermano Milani, hoje falecido
Mas a vida não foi fácil para o menino Luís Milani: “Meu pai, José Milani, faleceu quando eu era criança, e, aos 10 anos de idade, tive de trabalhar na lavoura para ajudar minha mãe, Maria Jovita Scalco.
Moravam no bairro da Conceição, e ele transportava sacos de café em carro de bois. Desse tempo em que foi carreiro – quem nessas terras de Minas, não ouviu, em algum lugar do passado, um doce e triste gemer de carro de bois? –, seu Luís Milani recorda um fato pitoresco: “Eu tombei o carro de bois numa sarjeta em frente ao prédio onde fica hoje o Supermercado Alaska. 25 sacas de café, imagine; isso tudo puxado por uns 6 bois. Eu devia ter uns 15 anos”.
Um dia, porém, seu pai comprou um caminhão: “Um Fordinho para o transporte de café até Alfenas. A gente levava o dia inteiro nessa atividade – ida e volta. Nessa época, ali por 1940, a linha de trem só chegava até Alfenas”.
Outra de suas lembranças memoráveis é a do programa que manteve na Rádio Difusora de Machado, durante 36 anos. O programa chamava-se “Obra das Vocações Sacerdotais” e era apresentado aos domingos (ao meio dia e meia) e quarta-feira (às 5 horas), desde 1953, com o objetivo de arrecadar recursos para a formação de crianças pobres.
Esta é, portanto, a história de mais um autêntico filho de italianos, da querida colônia que aportou em Machado; mas, antes, pode-se chamá-lo tão-somente de “Sr. Fontoura da Sanfona, do acordeom, da música raiz”.
Ele, com sua inseparável sanfona, lembra ainda o dia em que cantou o “Arrasta-Pé” com o Tinoco (da famosa dupla Tonico-Tinoco), no 1º Festival do José Caixeta.
De sua autoria, Fontoura tem o xote “Companheirada, eu venho de longe” e “Sonhando”, melodia e letra dele.
Versátil, atualmente ele se dedica a um trabalho de artesão: fabrica carros de madeira. Já fez dois modelos: um caminhão Ford e um Jipe Willys. Aliás, ele possui um jipe desses em sua garagem. “É uma potência esse carro antigo”, garante.
E essa conversa mineira, com entusiasmo bem italiano – a que não faltou um cafezinho da terra – não poderia terminar sem música: seu Fontoura foi buscar sua sanfona, marca italiana, diz, e tocou “Saudade de Matão”- uma das primeiras músicas de Tonico e Tinoco.



Luís Milani, mais conhecido por Fontoura

 

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