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Publicado: 29/07/08 - 08h20min

Sindicalista e empresário rural entram em luta corporal

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Joni Monoel, presidente do Sindicato dos Trabalhadores

 Juciel Corrêa concede entrevista à emissora de televisão, ao lado de trabalhadores rurais

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Machado, Joni Manoel e o empresário rural Juciel Dias Corrêa, entraram em luta corporal, no último dia 22, por volta das 12 horas. Joni Manoel, que conversou nesta segunda-feira com a reportagem da Folha On Line, na sede do Sindicato, afirmou que estava no local investigando denúncia de trabalho escravo. Juciel alega ter tido a propriedade invadida.

Boletim de ocorrência traz o seguinte relato: “após receber denúncia de um ex-funcionário do sítio JB, bairro Caiana, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Joni Manoel, chamou o taxista Luciano de Souza Neves, proprietário de um VW Gol, vermelho, e, junto com o ex-funcionário, Moisés, dirigiu-se ao local, dia 22, para averiguar a situação. Chegando ao sítio, o presidente pegou uma câmera que havia levado e começou a filmar a região. Ao notar sua presença, o proprietário do Sítio, Juciel Dias Corrêa, aproximou-se dele e, começou a agredi-lo com pauladas, resultando em uma briga corporal”. - Juciel alega que não o teria agredido. “Ele quase me matou”, afirmou Joni Manoel. De acordo com Joni, Juciel o teria, ainda, ameaçado de morte. “O que fez foi invasão de propriedade”, retrucou Juciel Corrêa.

Juciel afirmou que não tinha pleno conhecimentos de todas as leis trabalhistas previstas na INR 31, publicada pelo Governo Federal, que passaram a vigorar, em sua plenitude, há cerca de dois meses.

 Diante da luta corporal, o taxista e o ex-funcionário saíram correndo. - O presidente do Sindicato alega que o proprietário da Fazenda havia tomado sua câmera e seu telefone celular. “Ele deve ter perdido na fuga”, retruca Juciel. “Quando cheguei ao local, dirigindo um trator, dois homens saíram correndo. Joni permaneceu alguns instantes e, logo, também saiu correndo”, afirmou.

A Folha On Line ouviu nesta segunda-feira, por volta das 14h20, o empresário rural Juciel Corrêa. Afirmou que a vítima fora ele, uma vez que, Joni Manoel invadiu sua propriedade. “Dias atrás meu vizinho foi assaltado. Quando cheguei próximo à casa onde os trabalhadores estavam, duas pessoas correram para o meio do mato. Joni correu numa área alagadiça e de buracos. Se ele se machucou, não foi porque eu o agredi”, afirma.

Juciel Corrêa negou que tenha havido trabalho escravo na sua propriedade. “A apanha do café da propriedade já terminou. Nos últimos dias, apenas oito trabalhadores faziam o serviço. Esse homem que alega ter sido escravizado trabalhou para mim alguns dias apenas”, comentou. – Juciel Corrêa disse que lavrou ocorrência policial e irá tomar providências cabíveis contra Joni Manoel.  - Ambos teriam sido medicados no Pronto Atendimento Municipal.

No último sábado, dia 26, fiscais do Ministério do Trabalho estiveram no sítio e interditaram o barracão onde estavam os trabalhadores rurais. Os apanhadores de café, que não chegaram a Machado contratados por Juciel, iriam retornar à Bahia. Para tanto, o empresário iria vender sacas de café para realizar o acerto com os trabalhadores. O grupo de cerca de 25 homens não tinha registro em Carteiro Profissional. - Duas emissoras regionais de televisão estiveram na cidade, ontem, segunda-feira.

Joni Manoel encaminhou denúncia ao Ministério do Trabalho, em Poços de Caldas, ao Ministério Público do Trabalho (Varginha e Belo Horizonte) e à Promotoria de Justiça. – Segundo o sindicalista, o trabalhador que fez a denúncia está hospedado, por conta do Sindicato, numa pousada de Alfenas. “Ele está com medo”.

Juciel garantiu que, em Machado, 90% das propriedades rurais estão nas mesmas condições que a sua ou pior. Contudo, não é de seu feitio delatar pessoas ou empresários.

* Mais detalhes na edição do próximo sábado da FOLHA MACHADENSE.

 

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