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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Machado, Joni Manoel e o empresário rural Juciel Dias Corrêa,
entraram em luta corporal, no último dia 22, por volta das 12 horas.
Joni Manoel, que conversou nesta segunda-feira com a reportagem da Folha
On Line, na sede do Sindicato, afirmou que estava no local investigando
denúncia de trabalho escravo. Juciel alega ter tido a propriedade
invadida.
Boletim de ocorrência traz o seguinte
relato: “após receber denúncia de um ex-funcionário do sítio JB, bairro
Caiana, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Joni Manoel, chamou
o taxista Luciano de Souza Neves, proprietário de um VW Gol, vermelho,
e, junto com o ex-funcionário, Moisés, dirigiu-se ao local, dia 22, para
averiguar a situação. Chegando ao sítio, o presidente pegou uma câmera
que havia levado e começou a filmar a região. Ao notar sua presença, o
proprietário do Sítio, Juciel Dias Corrêa, aproximou-se dele e, começou
a agredi-lo com pauladas, resultando em uma briga corporal”. - Juciel
alega que não o teria agredido. “Ele quase me matou”, afirmou Joni
Manoel. De acordo com Joni, Juciel o teria, ainda, ameaçado de morte. “O
que fez foi invasão de propriedade”, retrucou Juciel Corrêa.
Juciel afirmou que não tinha pleno
conhecimentos de todas as leis trabalhistas previstas na INR 31,
publicada pelo Governo Federal, que passaram a vigorar, em sua
plenitude, há cerca de dois meses.
Diante da luta corporal, o taxista e o
ex-funcionário saíram correndo. - O presidente do Sindicato alega que o
proprietário da Fazenda havia tomado sua câmera e seu telefone celular.
“Ele deve ter perdido na fuga”, retruca Juciel. “Quando cheguei ao
local, dirigindo um trator, dois homens saíram correndo. Joni permaneceu
alguns instantes e, logo, também saiu correndo”, afirmou.
A Folha On Line ouviu nesta segunda-feira,
por volta das 14h20, o empresário rural Juciel Corrêa. Afirmou que a
vítima fora ele, uma vez que, Joni Manoel invadiu sua propriedade. “Dias
atrás meu vizinho foi assaltado. Quando cheguei próximo à casa onde os
trabalhadores estavam, duas pessoas correram para o meio do mato. Joni
correu numa área alagadiça e de buracos. Se ele se machucou, não foi
porque eu o agredi”, afirma.
Juciel Corrêa negou que tenha havido
trabalho escravo na sua propriedade. “A apanha do café da propriedade já
terminou. Nos últimos dias, apenas oito trabalhadores faziam o serviço.
Esse homem que alega ter sido escravizado trabalhou para mim alguns dias
apenas”, comentou. – Juciel Corrêa disse que lavrou ocorrência policial
e irá tomar providências cabíveis contra Joni Manoel. - Ambos teriam
sido medicados no Pronto Atendimento Municipal.
No último sábado, dia 26, fiscais do
Ministério do Trabalho estiveram no sítio e interditaram o barracão onde
estavam os trabalhadores rurais. Os apanhadores de café, que não
chegaram a Machado contratados por Juciel, iriam retornar à Bahia. Para
tanto, o empresário iria vender sacas de café para realizar o acerto com
os trabalhadores. O grupo de cerca de 25 homens não tinha registro em
Carteiro Profissional. - Duas emissoras regionais de televisão estiveram
na cidade, ontem, segunda-feira.
Joni Manoel encaminhou denúncia ao
Ministério do Trabalho, em Poços de Caldas, ao Ministério Público do
Trabalho (Varginha e Belo Horizonte) e à Promotoria de Justiça. –
Segundo o sindicalista, o trabalhador que fez a denúncia está hospedado,
por conta do Sindicato, numa pousada de Alfenas. “Ele está com medo”.
Juciel garantiu que, em Machado, 90% das
propriedades rurais estão nas mesmas condições que a sua ou pior.
Contudo, não é de seu feitio delatar pessoas ou empresários.
* Mais detalhes na edição do próximo sábado
da FOLHA MACHADENSE. |