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Publicado: 27/12/07 - 10h17min

Bar Pindorama e Chapisco:

um misto de culinária, cultura e política

Lembram-se daquele senhor que caminha arrastando os ‘chinelos vãos-de-dedos’, conhecido por Wardemá? Pois bem: Waldemar Francisco Nery, o Waldemar do Chapisco (nas décadas de 50 e 60, Bar Pindorama), acaba de completar 78 anos de idade, dia 19.
Waldemar Nery é casado com dona Agilse Magalhães, desde 1953. A esposa, que completou 76 anos dia 08 de dezembro, sempre foi o braço-direito do comerciante. Os filhos, o braço esquerdo, as pernas, o coração e os pulmões do bar. E, haja pulmão. Correria diária desde os tempos do Pindorama, em 1958.
Anote aí: pelas cadeiras do Pindorama e, de 1978 em diante, Mini-Churrascaria Chapisco, se assentaram nomes como Ferraz Caldas, Renato Azeredo, Carlos Mosconi, Roberto Junqueira e Sebastião Navarro (Poços de Caldas), Itamar Franco, Chico Viana, Dirceu de Freitas, Vilson Carvalho, Ademar de Barros, Nelsinho e Miltinho (família ‘Nete’) e outras dezenas de nomes do MDB e da Arena. As duas legendas dominavam o cenário político das Minas Gerais e do Brasil.
O clima de rivalidade política nas imediações do estabelecimento às vezes fervia. Fervia e transbordava, devido à proximidade do ponto de ebulição de cabos-eleitorais e os mestres da oratória. Até tiro com arma de fogo chegou a ser disparado por aquelas bandas.
Escudeiro fiel do ex-prefeito e ex-deputado Jorge Eduardo Vieira de Oliveira, o Dr. Jorge, líder máximo do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), em Machado, Waldemar não modificou seu modo de pensar e agir, apesar de parte do atual PMDB não manter a ideologia das velhas ‘raposas’. – O rosto sisudo e os ‘chinelos de dedo’ (estilo havaianas) continuam os mesmos. Os cabelos estão ralos; a vista cansada. Mas, continua a disposição para caminhar, mesmo que devagar, todos os dias pela pracinha de São Benedito.
O sorriso traz à tona histórias emocionantes do bar que serviu a caixeiros-viajantes e a políticos e magistrados. Dr. Reinaldo Ximenes, hoje Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, quando juiz em Machado, no início dos anos 80, fazia suas refeições ali.
Airton Rodrigues, que chegou a gravar capítulos de seu famoso programa de televisão “Almoço com as Estrelas” (extinta TV Tupi), levava da cozinha do Chapisco a comida para os artistas. Atores e atrizes saboreavam quitutes como frango frito, frango com farofa, frango ao molho pardo, rabada, picanha na chapa, peru, leitoa assada e à pururuca. Lolila Rodrigues (primeira esposa de Airton), Perla, Ronie Von, Jane e Herondy, Sérgio Reis, Agnaldo Timóteo, Aguinaldo Raiol, Tony Tornado, Jair Rodrigues, Moacir Franco se esbaldaram nos temperos de dona Agilse.
– Mais tarde, Airton chegou a freqüentar o recinto acompanhado de Simone, sua segunda esposa. – Gostava de ficar a sós, com Simone.
O grandalhão Sérgio Reis tem uma passagem interessante entre os Nery: certa vez, ganhou uma garrafa de pinga de presente. A garrafa estava numa prateleira, fora do alcance da maioria das pessoas. Enquanto Waldemar e os filhos procuravam uma banqueta para subir, Sérgio Reis esticou o braço e apanhou o vasilhame. Quando o banquinho chegou, Sérgio Reis já tomava um gole.
Os cineastas machadenses, Hélio D’ Andréa, Arielce Vítor Campos e Fausto Vasconcelos gravaram cenas do filme “Bandidos da Serra Baixa” dentro do bar. Montavam máquina filmadora em cima de uma mesa de sinuca e deixavam os atores à vontade.
A tradição do Chapisco está presente até hoje. Os filhos Luiz Carlos e Marquinho mantêm a Lanchonete Chapisquinho. A estrutura dos fornos da Mini-Churrascaria Chapisco, na avenida Santa Cruz, é utilizada para assar as pizzas, que têm o ‘selo’ Chapisquinho.
São filhos do casal: Sílvia Helena, Selma Maria, Luiz Carlos, Marcos Vinícius, José Cláudio e Clayton Nery.
Bem disposta, dona Agilse conta que o marido adorava pescar. É um dos fundadores do “Clube Vá Para Pesca”, que faz aventuras, há décadas, nos rios de Mato Grosso, sempre durante os meses de setembro. – Os bichos da região do Pantanal Matogrossense também conhecem o barulho do arrastar de chinelos de Seu Waldemar.
Uma pena a família não ter preservado fotos para ilustrar tantos fatos. Mas, essas passagens nem mesmo o tempo será capaz de apagá-las.
O estabelecimento comercial sempre foi administrado pela família. Em 1977, experimentaram montar barraca na Festa São Benedito. Não deu certo, pois os clientes ‘exigiam’ que o tradicional estabelecimento, à avenida Santa Cruz, continuasse funcionando normalmente.
O ponto de encontro da sociedade machadense também servia marmitex e atendia ‘mensalistas’. Abria às seis da manhã e fechava as portas tarde da noite.
Na porta, havia parada de ônibus das jardineiras que saíam da praça Antônio Carlos com destino a Poços de Caldas, pela antiga estrada de terra.
O pessoal do bairro da Conceição esperava condução ali.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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