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Publicado: 14/07/08 - 10h01min

Fecham-se as cortinas: sai de cena o tradicional Bar Alaska

Domingo, dia 20 de julho de 2008, encerrou-se mais um ciclo em Machado. O ciclo dos grandes bares da cidade. O Bar Alaska, com tradição de meio século de vida, fecha as portas, levando consigo, histórias e passagens que recordam nomes fregueses como Mané Garrincha e Didi, que, em 1962, quando a equipe do Botafogo (Rio de Janeiro) esteve em Machado, deram uma escapadinha do hotel para tomarem aperitivo no antes da partida.
O Bar Alaska, que na maior parte de sua vida teve o senhor Dalmo Oliveira atrás do balcão, é um baú de histórias, como foram os lendários Tangará, Bar Brasil, Bar 46, Chapisco, Bar do Vasco [há décadas atrás], Bar Santo Antônio. Localizado na esquina mais movimentada da cidade, no cruzamento entre as ruas Barão do Rio Branco e Dom Hugo Bressane, o Bar Alaska recebia todas as ‘tribos’. O pessoal do death metal; a galera do pagode; a turma do futebol; os católicos que saíam da missa aos domingos; punks; o público GLSBT; famílias etc. Sem dúvida alguma, o Bar Alaska foi o espaço mais democrático no quesito liberdade de expressão.
O respeito sempre era mantido (talvez imposto) pela fisionomia sisuda do rosto do senhor Dalmo Oliveira, 69 anos de idade; 50 atrás do balcão do Bar Alaska.
O pai de Dalmo (então com 19 anos), senhor Eurico da Silva Dias, comprou o Bar Alaska de Darcilo Swerts. Antes, o ponto tinha passado pelas mãos de dois senhores: Argemiro e Nenê. - “Eu e o meu irmão Hilton ganhamos o bar do papai. Contudo, no início, tudo que lucrávamos, gastávamos”, recorda Dalmo de Oliveira Dias, hoje do alto de seus 69 anos de idade. – O bar funcionava onde está localizada a Farmácia Itamaraty.
Aos 25 anos de idade, Dalmo casou-se com Maria Helena Caixeta Dias. “Aí, comecei a ter juízo. Maria Helena, a Mariinha, foi meu braço direito. Trabalhava na cozinha do bar, preparando os quitutes”, diz. – Literalmente, Mariinha cuidava da cozinha e organizava o meio-campo.
Vieram os filhos: Sérgio (que reside em Bauru-SP), Marcos (Sorveteria Alaska) e Elyane. Hoje, Dalmo e Maria Helena têm três netos.
“Com o crescimento das vendas e a fama que ganhava o Bar Alaska, construímos na esquina onde hoje estamos localizados (Barão do Rio Branco e Dom Hugo). Compramos a área onde foi constituída a Chácara Alaska; criamos o Armazém Alaska e a Leiteria Alaska. Por fim, surgiu a Sorveteria Alaska”, rememora Dalmo Oliveira.
Num ritmo sempre forte de trabalho, senhor Dalmo fora visto, ao longo deste meio século, fechando o bar, após a meia-noite, por diversas vezes, e abrindo suas portas, às 07 da manhã. – “Dono de bar não trabalha; não cumpre horário; não bate-cartão. Freqüenta o boteco”. E, como freqüenta...
Além de Garrincha e Didi, o Bar Alaska recebeu gente da expressão dos músicos Sérgio Reis e Zé Geraldo. Tradicionalíssimo, o Bar Alaska tem, hoje, inclusive uma comunidade no orkut, movimentado por Elyane. – Mas, o que mais surpreende, são visitas que o senhor Dalmo recebe. “Um dia desses, um caminhoneiro que esteve no Mato Grosso veio trazer notícias de um rapaz que freqüentava o bar, quando estudante. A gente fica feliz”.
O Bar Alaska também fora ponto de encontro político. Dr. Jorge Eduardo, João Marcelino Carvalho, Marcelo Vieira, Chicão (ex-prefeito), Manoel Rodrigues e tantos outros traçaram estratégias políticas no Bar Alaska.

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