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Domingo,
dia 20 de julho de 2008, encerrou-se mais um ciclo em Machado. O ciclo
dos grandes bares da cidade. O Bar Alaska, com tradição de meio século
de vida, fecha as portas, levando consigo, histórias e passagens que
recordam nomes fregueses como Mané Garrincha e Didi, que, em 1962,
quando a equipe do Botafogo (Rio de Janeiro) esteve em Machado, deram
uma escapadinha do hotel para tomarem aperitivo no antes da partida.
O Bar Alaska, que na maior parte de sua vida teve o senhor Dalmo
Oliveira atrás do balcão, é um baú de histórias, como foram os lendários
Tangará, Bar Brasil, Bar 46, Chapisco, Bar do Vasco [há décadas atrás],
Bar Santo Antônio. Localizado na esquina mais movimentada da cidade, no
cruzamento entre as ruas Barão do Rio Branco e Dom Hugo Bressane, o Bar
Alaska recebia todas as ‘tribos’. O pessoal do death metal; a galera do
pagode; a turma do futebol; os católicos que saíam da missa aos
domingos; punks; o público GLSBT; famílias etc. Sem dúvida alguma, o Bar
Alaska foi o espaço mais democrático no quesito liberdade de expressão.
O respeito sempre era mantido (talvez imposto) pela fisionomia sisuda do
rosto do senhor Dalmo Oliveira, 69 anos de idade; 50 atrás do balcão do
Bar Alaska.
O pai de Dalmo (então com 19 anos), senhor Eurico da Silva Dias, comprou
o Bar Alaska de Darcilo Swerts. Antes, o ponto tinha passado pelas mãos
de dois senhores: Argemiro e Nenê. - “Eu e o meu irmão Hilton ganhamos o
bar do papai. Contudo, no início, tudo que lucrávamos, gastávamos”,
recorda Dalmo de Oliveira Dias, hoje do alto de seus 69 anos de idade. –
O bar funcionava onde está localizada a Farmácia Itamaraty.
Aos 25 anos de idade, Dalmo casou-se com Maria Helena Caixeta Dias. “Aí,
comecei a ter juízo. Maria Helena, a Mariinha, foi meu braço direito.
Trabalhava na cozinha do bar, preparando os quitutes”, diz. –
Literalmente, Mariinha cuidava da cozinha e organizava o meio-campo.
Vieram os filhos: Sérgio (que reside em Bauru-SP), Marcos (Sorveteria
Alaska) e Elyane. Hoje, Dalmo e Maria Helena têm três netos.
“Com o crescimento das vendas e a fama que ganhava o Bar Alaska,
construímos na esquina onde hoje estamos localizados (Barão do Rio
Branco e Dom Hugo). Compramos a área onde foi constituída a Chácara
Alaska; criamos o Armazém Alaska e a Leiteria Alaska. Por fim, surgiu a
Sorveteria Alaska”, rememora Dalmo Oliveira.
Num ritmo sempre forte de trabalho, senhor Dalmo fora visto, ao longo
deste meio século, fechando o bar, após a meia-noite, por diversas
vezes, e abrindo suas portas, às 07 da manhã. – “Dono de bar não
trabalha; não cumpre horário; não bate-cartão. Freqüenta o boteco”. E,
como freqüenta...
Além de Garrincha e Didi, o Bar Alaska recebeu gente da expressão dos
músicos Sérgio Reis e Zé Geraldo. Tradicionalíssimo, o Bar Alaska tem,
hoje, inclusive uma comunidade no orkut, movimentado por Elyane. – Mas,
o que mais surpreende, são visitas que o senhor Dalmo recebe. “Um dia
desses, um caminhoneiro que esteve no Mato Grosso veio trazer notícias
de um rapaz que freqüentava o bar, quando estudante. A gente fica
feliz”.
O Bar Alaska também fora ponto de encontro político. Dr. Jorge Eduardo,
João Marcelino Carvalho, Marcelo Vieira, Chicão (ex-prefeito), Manoel
Rodrigues e tantos outros traçaram estratégias políticas no Bar Alaska.
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